INT.DIA. QUARTO DO EDUARDO
Eduardo e Rafael estão no Quarto do Eduardo (referido daqui
em diante como quarto). O Quarto é constituído por uma cama,
um armário, e duas estante, uma cheia de livros e outra de
filmes. Ao lado da cama uma mesinha de cabeceira, com livros
e folhas, onde está escrito um argumento, espalhados. Tem
também um candeeiro e uma caneca com meia cheia de água. Ao
lado do armário está também um puf. O quarto tem uma janela
de onde entra a luz que o ilumina. Na parede estão junto a
cama estão post-its. O resto das paredes está cheia de
posters. Eduardo está sentado no cimo da cama, com as costas
encostadas a parede e as pernas esticadas ao longo da cama.
Junto aos seus pés está Rafael sentado, também com as costas
encostadas à parede. Eduardo segura nas mãos um charro.
Leva-o à boca, trava o fumo durante 5 segundos e depois
solta-o lentamente. Os dois ficam a ver o fumo a dançar
dentro do quarto. Eduardo dá mais duas passas pequenas, de
seguida, aguenta o fumo e estica a mão em direcção a Rafael.
Rafael estica-se, com uma cara de preguiça por se ter que
mover, e apanha o charro. Dá uma passa de seguida e ficam os
dois a olhar para o tecto. Eduardo repentinamente inclina-se
para a frente a olhar para Rafael, que ainda não deu conta
do gesto do amigo.
EDUARDO
Kandinsky!
Rafael olha para ele com uma cara de quem não percebeu.Solta um grunhido, questionando Eduardo.
EDUARDO
Kandinsky! Se tivesse que escolher
o meu pintor vanguardista seria
Kandinsky.
Levanta-se com um sorriso na cara, abre a porta do quarto e
sai. Rafael segue-o com o olhar e continua a olhar para o
tecto. Eduardo volta com dois pratos rectangulares na mão e
uma caixa de cartão, que tem um autocolante no canto
inferior direito a dizer PZ. Eduardo senta-se ao lado de
Rafael deixando espaço no meio onde coloca os dois pratos e
caixa, que abre e tira de lá dois croquetes. Põe um em cada
prato e lambe os dedos. Rafael, até agora ignorando toda a
acção de Eduardo e olha para ele.
RAFAEL
Dali.